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O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

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“Às vezes para ver mais claramente basta mudar a direção do olhar” Antoine de Saint-Exupéry

Aprendi com os clássicos (Tao Te Ching, Mahabharata, Patãnjali e outros) que é no silêncio interior que grandes transformações podem acontecer. Transformações da consciência, ou do despertar. Como dizia Carl Gustav Jung “Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”.

Mas, o que é esse despertar?




Para responder a essa questão primeiro gostaria de lhe perguntar se já reparou que ao longo de um dia nossos pensamentos passam uma boa parte do tempo imaginando o futuro – que alias, pode ser completamente diferente do que imaginamos, ou revendo o que passou. E uma pequena parte da nossa atenção fica onde realmente estamos: no presente, no aqui e agora. E ainda dessa pequena atenção voltada ao presente ainda a subdividimos entre os diferentes estímulos que lhe desviam do foco do que se propôs a fazer naquela hora, como estudar, dirigir, conversar com alguém, fazer um trabalho, etc. Além de dificilmente estarmos atentos, ou focados naquilo que fazemos ainda existe o agravante de muitas vezes estarmos desconectados de nós mesmos, da nossa verdadeira natureza, agindo quase que automaticamente. Daí, acontecem duas coisas: o que nos propomos a fazer saí sem qualidade, afinal, não estamos 100% ali na tarefa, ou em casos extremos, nem mesmo nos momentos de prazer, continuando agindo no automático feitos robôs. Logo, desta distância de nós mesmos ao executar afazeres, nasce uma segunda consequência: a vida perde “o gosto”, nosso trabalho, nossas relações pessoais e mesmo o lazer ficam “arrastados”, sem brilho, sem alma.

Então, podemos entender o despertar como o alinhamento da atenção ao momento presente, à nossa realidade interior e ao mundo que nos cerca ao qual estamos inseridos. Mas, não de uma forma automática, e sim resgatando aquela sensibilidade das crianças que sabem apreciar o momento em sua toda sua riqueza sensorial e cognitiva, ou seja, é um estar no agora de corpo e alma. Já dizia brilhantemente Fernando Pessoa através do heterônimo Ricardo Reis: “Para ser grande, sê inteiro. Nada teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes. Assim, em cada lago a Lua toda brilha, porque alta vive”.

Existem muitas formas de contato com a energia da alma, da essência ou “Self”. As artes ajudam muito nesse sentido. Quando aplaudimos um artista é porque ele faz sua arte com a alma e assim nos ajuda a reconectar com a energia da nossa própria alma, nos abastecendo de vida!

Nas culturas orientais, a forma mais cultivada de despertar nossa atenção ao momento presente e alinhá-la a energia da própria alma é a meditação. A arte da meditação têm muitos caminhos e é fundamental a orientação de um instrutor experiente no começo, principalmente se a pessoa está passando por algum transtorno emocional ou físico mais trabalhoso. O exercício taoista a seguir de meditação não dispensa a devida orientação pessoal e está aqui descrito a título de ilustração. Basicamente é um treino da atenção: começa-se ficando sentado com a coluna ereta e os olhos fechados; deve-se observar a própria respiração, as sensações do ar entrando e saindo do corpo, assistir ao seu ritmo e envolver-se com ele, procurando ignorar os pensamentos do dia a dia que vierem à mente, deixando-os passar sem dar importância a eles. Sem pressa, volte a concentração na respiração quantas vezes forem necessárias até acalmá-la, ou seja, até perceber que está fácil manter a atenção na respiração. Nesse ponto vá retirando mentalmente de você todas as pessoas que de alguma forma tem ou tiveram influência sobre você: pais, tios, primos, avós, professores, namoradas, amigos, chefes, etc. Depois, comece também a esquecer de si mesmo, dessa autoimagem construída nessa encarnação, com nome, formação, documento de identidade, e mergulhar sua atenção calma e tranquilamente no silêncio interior. Normalmente, ao chegar nesse ponto da prática algumas sensações podem acontecer: ser inundado por um sentimento de profunda paz e confiança, força, amor, alegria, perceber algum clarão de luz branca ou colorida, etc. Esses são sinais que a pessoa está em contato com sua alma, essência, ou “Self”. Quanto maior for o desapego de resultados durante a prática, fazendo-a pelo prazer de fazer, maior é a tendência de se experimentar em uma prática mais aprofundada, também uma sensação de transcendência. Como diz meu amigo Gilberto Silos, é como se reconectar à fonte e sentir-se como um fruto no pé nutrido pela árvore que o gerou. Para os orientais a meditação é ainda uma forma de ajudar a renovar e harmonizar naturalmente a bioenergia, também chamada de “Chi”, ou “prâna”.

O objetivo dessas práticas não é ficar em meditação o dia todo; todos temos nossos afazeres, mas criar momentos nos quais a alma possa respirar, vir para fora, nos abastecer de ânimo e alegria, nos ajudar a dar uma direção mais essencial em nossas vidas, compartilhar essa alegria com quem encontrarmos no caminho formando uma grande rede de pessoas agindo com a alma. Haveria fome e guerras em um mundo que as pessoas estivessem conectadas à essência?



*Por: Jefferson Aparecido Ferreira, praticante e instrutor de meditação e Qigong. 
Atende no Espaço Íris. 
E-mail: Jefferson_811@hotmail.com | 19 99819 4578

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